Participaram da iniciativa, alunos que desenvolvem pesquisas científicas sobre a temática étnico-racial em suas escolas

Mesmo a manhã chuvosa não desestimulou os mais de cem estudantes da rede estadual de ensino que foram até a Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, nesta terça-feira (20/11), para celebrar o Dia da Consciência Negra. Eles participaram da “IV Caminhada de Promoção da Igualdade Racial”, iniciativa da Secretaria de Estado de Educação (SEE) que tem por objetivo sensibilizar a sociedade sobre a importância de se reconhecer e valorizar a cultura afro-brasileira.

“A caminhada simboliza um marco e um ponto de partida importante. Ao longo dos quatro anos de realização da caminhada, tivemos a necessidade de materializar políticas que antes eram apenas de fomento. A materialidade dessa política que envolve a educação para as relações étnico-raciais acontece com a institucionalização dos Núcleos de Pesquisa e Estudos Africanos e Afro-Brasileiros e da Diáspora (Nupeaas). As pesquisas de iniciação cientifica protagonizadas pelos estudantes revelam o quanto é possível ainda sonhar com escolas anti-racistas e que podemos alcançar o ideal de constituir uma sociedade mineira mais equânime e igualitária”, destaca a Superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da SEE, Iara Félix Pires Viana. 

Cerca de 150 jovens participaram da ação, na Cidade Administrativa. Foto: Carlos Alberto / Imprensa - MG
Cerca de 150 jovens participaram da ação, na Cidade Administrativa. Foto: Carlos Alberto / Imprensa - MG

A IV Caminhada de Promoção da Igualdade Racial em Belo Horizonte marcou a largada para as outras caminhadas realizadas pelo Estado. “No ano passado, tivemos cerca de 800 mil jovens nas ruas, contabilizando também as prefeituras que participaram e aderiram ao projeto da caminhada. Esperamos que este ano este número seja superior e que a caminhada seja um momento de culminância das ações que as escolas realizaram com os alunos sobre o tema. Esperamos que elas tenham discutido ferrenhamente sobre a educação para as relações étnico-raciais com seus alunos”, completa Iara.

Todas as escolas que participaram da ação contam Nupeaas e desenvolvem pesquisas cientificas com enfoque na história, ciência, tecnologia, filosofia e trajetória político-social dos africanos em diáspora, e na história e cultura afro-brasileira.

Os estudantes que participam do Nupeaas da Escola Estadual José Luiz de Carvalho, em Ribeirão das Neves, desenvolvem um projeto sobre os costumes do quilombo Nossa Senhora do Rosário, que fica próximo à escola. Aluna do 3º ano do Ensino Médio, Maria Eduarda Gonzaga dos Santos, conta como é trabalhar a temática. “É uma experiência e tanto. É muito bom e estamos aprendendo bastante. Na nossa feira de ciências, vamos abordar as ervas medicinais e outros aspectos da comunidade quilombola”.

A estudante ressalta ainda que com a implantação do Nupeaas, a discussão da temática ficou mais aprofundada. “Agora conseguimos realmente fazer um trabalho. Estamos realmente fazendo um projeto na escola. Antes a única coisa que era feita eram cartazes”, conclui Maria Eduarda.

Já a aluna da Escola Estadual Nova Contagem, em Contagem, dá o recado. “Temos sempre que pensar que práticas racistas não são brincadeiras”, afirma a aluna do 2º ano do Ensino Médio, Mayuri Teixeira.

Homenagens

Ao fim da caminhada, a Secretaria de Estado de Educação homenageou com o “Selo Afroconsciência” a Escola Saga, que por meio de uma parceria irá levar oficinas com foco em tecnologia para os jovens dos 94 Núcleos. Também foi homenageado o militante do movimento negro, historiador, filósofo e pesquisador na área cultural, Marcos Cardoso, que agradeceu a lembrança. “Pra mim, é uma honra receber essa homenagem tão gentil a partir do meu envolvimento na fase inicial do projeto. Envolver a juventude no processo de desenvolvimento da pesquisa e estimular a produção científica no Ensino Médio é muito importante”.

Exposição ficará montada até o dia 23 de novembro. Foto: Carlos Alberto / Imprensa - MG
Exposição ficará montada até o dia 23 de novembro. Foto: Carlos Alberto / Imprensa - MG

Exposição "Itinerários Nupeaas”
Além da caminhada, até o dia 23 de novembro, os servidores da Cidade Administrativa poderão conhecer um pouco mais dos trabalhos científicos desenvolvidos pelos Nupeaas. A Exposição "Itinerários NUPEAAs" apresenta o resultado do trabalho realizado por 35 núcleos e está montada no subsolo do Prédio Minas.

Núcleos de Pesquisa e Estudos Africanos e Afro-Brasileiros e da Diáspora
Os Nupeaas constituem-se em espaços de fomento à reflexão, pesquisa e produção científica, cultural e artística, com enfoque na história, ciência, tecnologia, filosofia e trajetória político-social dos africanos em diáspora, e na história e cultura afro-brasileira como elementos necessários à ressignificação da trajetória escolar dos alunos do ensino médio e pela solidificação de ações pedagógicas de combate às práticas de racismo e discriminação nos ambientes escolares. A ação faz parte da campanha da Afroconsciência. Atualmente, 1128 alunos participam diretamente dos Núcleos.

Fonte: Secretaria de Educação de Minas Gerais

Data de publicação: 20/11/2018

Créditos das Fotos: Carlos Alberto / Imprensa - MG;

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